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Efeitos da Corrida no Sistema Imunológico

29/12/2019 por Wanderson Barcellos
Categorias: Corrida
O que fazer para ter somente benefícios.

EFEITOS DO EXERCÍCIO EM CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE

Para falarmos do efeito do exercício físico no sistema imunológico, primeiramente devemos entender alguns fatores sobre o mesmo.

O sistema imune é composto por um complexo conjunto de células e moléculas que interagem para fornecer a proteção contra possíveis invasores patogênicos (bactérias, vírus e parasitas) (LIMA e SAMPAIO, 2007).

A Resposta Imunológica pode ser compreendida em duas etapas: INATA e ADAPTATIVA, ou sistema imune inato e o adquirido.

A Resposta INATA está presente desde o nascimento, não é específica e pode responder aos diferentes agentes da mesma forma sem produzir células de memória. Contém barreiras estruturais como pele e membranas, também possui barreiras fisiológicas como pH e níveis de oxigênio. Ainda proporciona a participação de células como macrófagos, neutrófilos que desempenham um importante papel na resposta imune, sendo geralmente a primeira célula recrutada para o sítio da infecção. Portanto, estão envolvidos em diversos processos inflamatórios, inclusive o do tecido muscular promovido pelo exercício. Além disso, células fagocitárias e outros leucócitos, que estão envolvidas diretamente na apoptose (morte celular) e resposta inflamatória. Estes processos não sofrem influência do contato prévio com o agente infeccioso, formando a linha de frente da defesa do organismo, eliminando células infectadas por vírus e células tumorais, retardando o estabelecimento da infecção (DELCENSERIE et al., 2008).

A Resposta ADAPTATIVA envolve principalmente linfócitos e seus produtos, citocinas e anticorpos respectivamente. Citocinas, são glicoproteínas que fazem a mediação e regulação da resposta imunológica,  podem ser pró ou anti-inflamatórias de acordo com as funções desempenhadas. Os linfócitos desempenham um papel importante no sistema imunológico, ajudando a regular a atividade de outras células imunológicas, liberando citocinas, como interleucina-2 (IL-2). Células que ajudam a suprimir ou regular as respostas imunes e são essenciais na troca de classe de anticorpos, na ativação e crescimento de algumas células.

A contração de músculos esqueléticos durante exercícios prolongados, libera grandes quantidades de Inter Leucina 6 (IL-6) uma citocina responsiva à inflamação, que apresenta ação anti-inflamatória indireta, por estimular a síntese de substâncias anti-inflamatórias. Por outro lado, ativação da fibra muscular também aumenta a liberação de cálcio (Ca2+) o que estimula a síntese de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-α que atraem neutrófilos para a região. O estudo de Nunes-Silva (2014) demonstrou a importância dos neutrófilos na resposta imediata do sistema imune após uma sessão de corrida onde pode ser observado o rolamento, aderência e transmigração de neutrófilos em direção ao centro do musculo exercitado.

Vários autores têm relatado um aumento nas concentrações séricas de citocinas anti-inflamatórias após diferentes formas de exercício. A corrida, que envolve uma grande quantidade de grupos musculares, é a modalidade de exercício em que se observou um maior aumento de IL-6. O pico dos níveis séricos desta citocina é alcançado no final da realização do exercício ou em um curto período após este, porém estudos demonstraram que, a concentração de todas as subpopulações linfócitos aumenta no compartimento vascular durante o exercício e diminui, a níveis menores que aqueles apresentados no período pré-exercício, após trabalho físico de longa duração, esse decréscimo na concentração de linfócitos no período pós-exercício pode ser consequência, pelo menos em parte, de um mecanismo de apoptose (morte celular). Um percentual maior de apoptose de linfócitos em humanos tem sido descrito imediatamente após a realização de exercícios de alta intensidade. Alguns autores tendem a associar o exercício intenso a apoptose devido à ação dos altos níveis de catecolaminas produzidos, enquanto outros associam ao aumento do estresse oxidativo. Autores indicam que essas células sanguíneas extras são mobilizadas a partir do contingente marginal de leucócitos porque não havia tempo suficiente para produzir novas células na medula óssea (HACK, 1992).

Durante o exercício físico ocorre ativação do Sistema Nervoso Simpático (SNS), com consequente produção e liberação de neurotransmissores, como as catecolaminas, neuropeptídeos e hormonios relacionadas com o estresse, e a ativação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), que é um eixo importante e necessário para a mobilização de reservas de energia e na resposta imunoinflamatória. A maior ou menor liberação dos neurotransmissores como a Adrenalina e o Cortisol dependem da intensidade e duração do exercício.

Entretanto pode se entender como uma resposta do sistema imunológico a um desbalanço na homeostase preparando-se para combater um possível invasor ou, no caso do exercício físico, uma possível regeneração do tecido muscular. Essa alteração pode estar relacionada a imunossupressores induzidos pelo exercício, condição comum em atletas amadores e profissionais após provas de endurance, como maratonas e triatlos. Entretanto, observa-se o retorno da contagem de linfócitos aos níveis basais pré exercício demonstrando assim uma mudança transiente, ou seja, 24h após a sessão de treino a perturbação na homeostase dos linfócitos circulantes foi recuperada nos corredores.

Então exercícios intensos/extensos em atletas de resistência podem causar um estresse fisiológico extremo associado à imunodepressão temporária e a um maior risco de (IVAS) Infecção das Vias Aéreas Superiores (GUNZER et al., 2012). Através da chamada teoria da janela aberta (KAKANIS, 2010). Pelo fato de acontecer uma “migração” de neutrófilos para a fibra muscular, em resposta ao estresse muscular ocasionado, e também no desequilíbrio e diminuição dos linfócitos circulantes, que ocorre principalmente pela inibição da proliferação linfocitária decorrente da ação da Adrenalina e Cortisol liberados em maiores concentrações em caso de exercícios mais intensos/extensos.

A boa notícia é que é possível dividir a resposta do organismo ao exercício físico em função da intensidade e duração do exercício, em resposta aguda, considerada transitória, e em resposta de adaptação crónica para praticantes mais regulares. Ambas podem alterar componentes celulares e moleculares da resposta inflamatória e imunitária intervindo na suscetibilidade das moléculas e mediadores do sistema imunológico, sendo possível que indivíduos que pratiquem exercícios de forma regular, independentemente da idade, se apresentem com indicadores de melhor proteção relativamente a agressores ambientais.

Ou seja, basta dosar a intensidade, duração da sua corrida, ou exercício praticado, bem como manter uma regularidade dentro do indicado para se beneficiar de uma adaptação crônica do sistema imunológico. O que se é possível através de uma periodização correta do treinamento, pois a mesma, principalmente a de caráter ondulatória (por mim utilizada) proporciona ao organismo, tempos de recuperação e consequente adaptação, o que chamamos de supercompensação (melhor adaptação e apresentação do organismo como um todo após um determinado período de treinamento) que se é possível através da manipulação das cargas que no caso da corrida são: Intensidade (forte, moderado, fraco), Volume (distância percorrida), Densidade (distribuição e tempo de exposição às zonas de treinamento)

A combinação entre a modalidade, a intensidade e a duração do exercício físico também determinam a magnitude do estresse fisiológico, bem como no aumento da concentração plasmática de IL-6 induzido pelo exercício. Podendo contribuir na adaptação de vários outros componentes e sistemas, pois além de seu efeito imunomodulador, esta miocina também apresenta importantes efeitos metabólicos, tais como o aumento da captação de glicose e da oxidação de ácidos graxos pelo músculo esquelético, aumento da gliconeogênese hepática e lipólise no tecido adiposo. Na mesma linha, a miocina IL-8 parece exercer efeitos angiogênicos, e a IL-15, também produzida pela contração muscular, parece ter efeitos anabólicos e na redução da adiposidade.